Edição 17 - agosto e setembro/2013

Sindicato lança cartilha sobre Síndrome de Burnout

SINPRO RIO disponibiliza material sobre doença que tem atingido a categoria

Recentemente, o SINPRO Rio disponibilizou uma cartilha sobre Síndrome de Burnout no portal Saúde do Professor. Clique aqui e leia o material.
O SINPRO ABC já tratou do tema, em 2007. Leia o que foi publicado na edição número 6 de nossa revista


Cerca de 30% dos professores sofrem, mas desconhecem a síndrome da exaustão, como também é conhecida

Você conhece a Síndrome de Burnout?

 

Nem síndrome do pânico, nem depressão, nem stress. A síndrome de burnout é uma exaustão física e mental muito comum em profissões que exigem o contato direto com as pessoas, especialmente quando a relação é de ajuda, como policiais, enfermeiros, médicos e professores.
O termo burnout vem do inglês burn – queimar – e out – externo -, ou simplesmente exaustão. Quem é acometido pela doença tem diminuição do interesse pelo trabalho, da energia, humor, criatividade, idéia, auto-confiança e outros fatores de motivação. No caso dos professores, o desconforto cresce ao passo que a vontade de lecionar diminui.
Pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), em parceria com o Laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), aponta que a síndrome de burnout atinge cerca de 30% dos professores do país. De acordo com essa análise, realizada em 2002, o desenvolvimento da Síndrome da Desistência Simbólica do Educador, como também é chamada, está diretamente ligada com as condições de trabalho, sobrecarga de tarefas, falta de tempo, apoio, assistência e recursos, excesso de reuniões, grande número de alunos por sala de aula, comportamento dos estudantes e até mesmo o relacionamento com os pais e direção das escolas. O profissional que é submetido a um longo período de trabalho, mas pouco intervalo para descanso e recuperação tem grandes chances de desenvolver burnout.
Mesmo tendo sido reconhecida em 1999, os afastamentos por conta dessa síndrome são raros no Brasil, apesar de constar nas leis trabalhistas. Para o presidente do SINPRO ABC, professor Aloísio Alves da Silva, “seria importante que o próprio governo, por meio do MEC, criasse mecanismos para regulamentar, fiscalizar e punir as instituições que desrespeitam a legislação trabalhista e que se transformaram em meros vendedores de diplomas”.

Sintomas e efeitos
O diagnóstico, em muitos casos, é confundido com síndrome do pânico, por apresentar sintomas muito parecidos. O stress também é citado como explicação inicial para os acometidos pela síndrome de burnout.
Queda de cabelo, enxaqueca, dor de estomago, taquicardia, sudorese, medo, palpitação, sensação de que não conseguirá realizar o trabalho e angústia são sinais inicialmente detectados. Ao longo do tempo, o profissional apresenta quadros de irritação, fica arredio e se distancia dos alunos. Os reflexos também são sentidos no relacionamento familiar e com pessoas próximas.
Quando não abandona o emprego, o portador de burnout passa a realizar as atividades de forma apática, morosa e sem perspectivas. Outros sintomas psicossomáticos também podem ser observados como úlcera, insônia, hipertensão, dores de cabeça, e, em muitos casos, consumo exagerado de álcool e medicamentos.

Relato

Professora há 28 anos, Antônia Cibele Figueiredo Ligório contou a experiência vivida para a revista Mátria, da CNTE. Cibele relata que tinha vergonha dos sintomas e está afastada há dois anos das atividades profissionais. “Eu queria que alguém me compreendesse e não tinha. O meio, por incrível que pareça, reage de forma hostil e minha tendência foi isolar-me dos meus colegas de trabalho”, narra. “Dar aulas, trabalhar com educação sempre foi meu sonho, minha vocação. Mas, de um tempo para cá, estava me sentindo cansada, desanimada e, em alguns momentos até angustiada com a perspectiva de entrar em sala de aula, enfrentar os alunos e fazer o que sempre soube fazer: educar”, conta na entrevista.

Tratamento

Especialistas alertam que nem sempre o afastamento do ambiente profissional é o melhor remédio. A prevenção é tida como melhor caminho para evitar a síndrome de burnout. Algumas estratégias para melhorar o ambiente de trabalho podem ser aplicadas com objetivo de impedir a criação de cenário para o desenvolvimento da doença. O professor Jorge Castellá Sarriera, da PUC-RS, descreve no artigo “A Síndrome do Burnout : a Saúde em Docentes de Escolas Particulares” algumas medidas a serem tomadas para melhorar a qualidade de vida no âmbito profissional:
* Transformar a escola em um contexto saudável
* Propiciar o fortalecimento pessoal e coletivo
* Desenvolver capacidades de lidar com o stress e controle das situações de conflito
* Criar redes de apoio social, como por exemplo, grupos de discussão entre professores
* Promover reflexões entre líderes institucionais e professores
* Trocar informações, experiências e incentivar debates construtivos com os pais
* Enfatizar a promoção dos valores humanos no ambiente de trabalho
*Adotar valores mais orientados para a coletividade, em oposição aos valores mais individualistas.

Essa situação tem que mudar!

“Superlotação de sala de aula, baixos salários, pressão junto aos professores por conta da exaustiva jornada de trabalho, docentes que atuam em várias instituições para conseguir um rendimento que atenda às necessidades, falta de tempo para o lazer… Quem agüenta?”, questiona o professor Aloísio Alves. “Vale ressaltar, ainda, que além das doenças psíquicas temos doenças ocupacionais como LER (lesão por esforços repetitivos), problemas de coluna, agravo de voz e outros”, completa o presidente do SINPRO ABC. “O procedimento correto, então, passa pela valorização dos professores, limitação do número de alunos em sala de aula, redução da pressão por resultados, entre outras ações. Professor não é prestador de serviços”, finaliza.

A escola também pode ajudar

O ambiente profissional reflete no comportamento dos trabalhadores. Nesse caso, as escolas podem (e devem) contribuir para o bem estar dos professores e, conseqüentemente, ajudarão na qualidade de vida dos funcionários.
- Promova debate e troca de idéias entre os docentes e demais empregados;
- Invista na qualificação, realizando oficinas e workshops;
- Facilite a comunicação com os trabalhadores;
- Reconheça as qualidades de cada funcionário.
- Permita que os empregados tenham intervalos para descanso.
É importante o investimento em infra-estrutura nas escolas, mas, acima de tudo, é fundamental que haja investimento e respeito com os profissionais.
Como se livrar do stress
Para ficar de bem com o trabalho, é preciso que você esteja bem consigo mesmo. Sendo assim, lembre de algumas dicas:
- Faça atividades físicas e cuide bem da sua alimentação;
- Faça algum tipo de relaxamento antes ou após sua jornada;
- Organize seus horários e elabore um planejamento para as atividades que pretende realizar;
- Resolva seus problemas de forma tranqüila e consciente;
- Aproveite os momentos de descanso para se distrair;
- Procure não misturar as tarefas profissionais com as pessoais;
- Tire pelo menos um dia na semana para fazer coisas que gosta.

Baixe aqui a cartilha

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5 respostas para “Sindicato lança cartilha sobre Síndrome de Burnout”

  1. milena disse:

    Sou professora há 30 anos, e sempre o fiz com muito prazer. Atualmente, tenho estado reclusa, sinto medo de pessoas, de multidões, tive uma crise convulsiva na escola, tenho medo de tudo e de todos, sentimento de rejeição por todos e meu médico caracterizou a síndrome. É realmente muito sério…e o quadro só mudará se a EDUCAÇÃO do país for tratada de forma diferenciada.

  2. valderez L. Carvalho disse:

    Estou com 54 anos de idade, leciono à 28 anos, trabalho no Estado e no município,. e confesso: cheguei no meu limite, minha intenção era trabalhar 30 anos no Estado para não perder uma gratificação/promoção pelo tempo, mas confesso que não está dando. Os últimos quatro anos estava afastada pelo município por uma indicação política, porem, agora fui obrigada a retomar e estou a ponto de enlouquecer, estou literalmente em pânico de escola, de manhã de tarde e de noite eu não suporto. estou vivendo a ponto de 20mg de diazepan para poder criar coragem e ir trabalhar, porem o remédio me deixa prostrada de sono e eu não consigo articular a mente. Que devo fazer? não posso diminuir a minha carga horaria porque isso não ia resolver, sinto que estou realmente pertubada com sala de aula.

  3. Bom Dia
    Fui diagnosticada pelo psiquiatra, cujo laudo acusou a Síndrome de Bornout. Como o SAS (Plano de Saúde dos professores), não funciona aqui no Paraná, gastei horrores com idas e vindas em: psiquiatra, cardiologista, neurologista e outros especialistas. Tudo com consultas particulares, sem contar os remédios caríssimos que fiz e faço uso. Além das viagens, pois as cidades onde existem esses especialistas ficam a 70 e 150 km de onde resido. Há mais ou menos quatro anos estou em tratamento. . O psiquiatra pediu minha readaptação permanente, pois só de pensar que vou retornar para sala me dá uma espécie de cansaço, meu coração dispara. À noite acordo várias vezes com um zunido no ouvido, tenho enxaqueca sempre que sofro fortes emoções ou decepções, além de sofrer de hipotireoidismo, gastrite crônica. Acho que é só isso!
    Ocorre que no dia 22/05/13 tive que ir a Curitiba que fica cerca de 400 km de onde moro, com todas as despesas (viagem, hotel, comida) pagas por mim, para passar pela perícia médica.
    Em menos de dez minutos, passei por duas médicas que não se identificaram, me fizeram apressadamente algumas perguntas e uma delas disse: você tem duas saídas ou volta para sala de aula ou pede sua aposentadoria proporcional. Há 21 anos leciono e faltando apenas três anos para me aposentar, não acho justo encerrar a minha carreira profissional dessa forma, haja vista, que todas essas doenças desencadearam por conto do descaso com a educação neste país. O que devo fazer? Quais são meus direitos?

  4. Bom Dia
    Fui diagnosticada pelo psiquiatra, cujo laudo acusou a Síndrome de Bornout. Como o SAS (Plano de Saúde dos professores), não funciona aqui no Paraná, gastei horrores com idas e vindas em: psiquiatra, cardiologista, neurologista e outros especialistas. Tudo com consultas particulares, sem contar os remédios caríssimos que fiz e faço uso. Além das viagens, pois as cidades onde existem esses especialistas ficam a 70 e 150 km de onde resido. Há mais ou menos quatro anos estou em tratamento. . O psiquiatra pediu minha readaptação permanente, pois só de pensar que vou retornar para sala me dá uma espécie de cansaço, meu coração dispara. À noite acordo várias vezes com um zunido no ouvido, tenho enxaqueca sempre que sofro fortes emoções ou decepções, além de sofrer de hipotireoidismo, gastrite crônica. Acho que é só isso!
    Ocorre que no dia 22/05/13 tive que ir a Curitiba que fica cerca de 400 km de onde moro, com todas as despesas (viagem, hotel, comida) pagas por mim, para passar pela perícia médica.
    Em menos de dez minutos, passei por duas médicas que não se identificaram, me fizeram apressadamente algumas perguntas e uma delas disse: você tem duas saídas ou volta para sala de aula ou pede sua aposentadoria proporcional. Há 21 anos leciono e faltando apenas três anos para me aposentar, não acho justo encerrar a minha carreira profissional dessa forma, haja vista, que todas essas doenças desencadearam por conto do descaso com a educação neste país. O que devo fazer? Quais são meus direitos?
    Obrigada!
    Maria Jose

  5. Jose Mauricio disse:

    Estou com 60 anos, trabalhei em escola municipal, estadual e por último em escola particular. Estou afastado da educação a 9 anos. Trabalhei como professor, coordenador administrativo e secretário. Após 10 anos em uma escola(última), pedi demissão, estava ficando louco.Não conseguia passar em frente a uma escola, não suportava ouvir os gritos dos alunos, tudo relacionado a escola me levava ao pânico. Cheguei a jogar pedras no pátio da escola em frente a minha casa. Procurei de imediato um psiquiatra. Tomei remédio durante anos como esquisofrénico. Sofria da síndrome Burnout e não sábia. Sabem o que está me curando: A NATUREZA, comprei uma chácara no interior de Minas, dei um basta nos remédios,estou me recuperando aos poucos, me livrei da bomba prestes a explodir…

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