Ensino além da lousa, do lápis, da caneta... |
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| Desempenho em sala de aula pode ser potencializado com atividades corporais |

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A receita é a mesma há anos. Alunos sentados nas carteiras e os focos devem ser somente a lousa e o caderno. Aquele que resolve levantar, caminhar pela sala ou fazer qualquer outra coisa “fora da cadeira” certamente será repreendido com um sonoro “não atrapalha, sossega, senta e presta atenção na aula!”.
Parece que o modelo das escolas julga que o aluno é composto somente pela cabeça (e mãos para copiar e escrever). E, assim, perguntamos: onde fica o corpo nessa história? A atriz e professora de dança e teatro, Letícia Olivares, faz um importante alerta para os professores e administradores de escola: “Infelizmente, o modelo de alunos estáticos, sentados e olhando para frente ainda é um modelo de disciplina considerado ideal nas salas de aula. Porém, é prejudicial tanto para a apreensão do conhecimento, quanto para ao posicionamento corporal dos alunos, que muitas vezes não adotam uma postura correta (apoiar-se sobre os ísquios, manter a coluna ereta, apoiada no encosto da cadeira, pés apoiados no chão)”.
Por outro lado, o que podemos observar são alunos cada vez mais sedentários, aficionados por vídeo games e computadores, que aproveitam as horas vagas para fazer... nada! Com esse sedentarismo, outros problemas também surgem e podem comprometer a saúde e o desempenho escolar dos estudantes. “Os alunos estão mais sedentários e com isso os problemas vão aparecendo, como, por exemplo, a obesidade”, destaca a professora de Educação Física, Samantha Freitas. “Mas ainda podemos perceber que a parte motora das crianças está cada vez mais prejudicada, pois atividades que eram praticadas antigamente, como correr, saltar e andar de bicicleta na rua, hoje, já não acontecem com tanta frequência”, completa Samantha. |
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O esporte na educação |
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O sentimento de liberdade é uma boa forma de estimular os alunos ao aprendizado. Agregar movimentações corporais aos ensinamentos traz mais descontração às aulas e o conhecimento vem juntamente com o prazer de uma brincadeira.
“Os professores podem otimizar o tempo dentro da sala, propondo uma boa espreguiçada, junto com bocejos sonoros, para ‘acordar’ o corpo antes do início da aula. Também deve contar com sua sensibilidade e propor pausas quando os alunos começam a ficar inquietos nas cadeiras, fazendo com que levantem e façam movimentos de balanço com os braços soltos em torno do corpo, espreguicem novamente e voltem a sentar”, sugere a atriz e professora Letícia Olivares.
Para a Samantha, os esportes também funcionam como uma ótima ferramenta para auxiliar na fase escolar, uma vez que aumentam a consciência corporal de quem os praticam. “A concentração e a destreza, ambos trabalhados com esportes, são habilidades que a criança levará para seus aprendizados futuros”, explica a profissional da Educação Física, “por exemplo, para escrever, é necessária uma coordenação fina que o esporte auxilia a desenvolver. Sem falar na concentração, fundamental para um bom aprendizado”.
Com atividades esportivas, a postura também será corrigida e, além do benefício escolar, trará melhoras na saúde dos alunos. Mas cuidado: para cada fase de desenvolvimento motor, há um tipo de exercício recomendado. “É preciso respeitar a faixa etária e o desenvolvimento individual de cada criança”, ressalta Samantha, “aos pais e professores, cabe destacar que não devem comparar as crianças, exigindo que todas apresentem os mesmos resultados, pois cada um tem seu tempo para aprender, sua individualidade”. |
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Atuando na sala de aula |
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Com criatividade, as artes cênicas também são ferramentas que podem ser exploradas dentro do ambiente escolar. “A contribuição das artes cênicas implica em um trabalho sobre potencialidades, ou seja, o que cada um tem como potência a ser despertada e trabalhada”, comenta Letícia, “isso gera apropriação de si, maior autoconfiança e autoestima, habilidades de comunicação, percepção sensorial, agilidade física e mental, posicionamento ético, desenvolvimento de percepção estética, capacidade de trabalho em equipe, de liderança, de improvisação, de empatia, entre outras que refletem em um indivíduo/cidadão mais consciente das relações possíveis entre si e o mundo e de seu papel na sociedade”.
Com o teatro, os alunos vivenciam experiências que contribuirão nas formações acadêmica e social da cada um. Isso ocorre porque a arte refina conceitos de interpessoalidade, trabalho em equipe, habilidades motoras, melhora na dicção, oratória, entre outros.
Para os professores e outros trabalhadores, a teatralidade também tem muito a contribuir na desenvoltura durante a execução das atividades profissionais. Letícia Olivares apresenta algumas declarações de diversas pessoas que, de alguma forma, atrelaram os conceitos aprendidos em aulas de teatro com a rotina de trabalho. |
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“Aprendi a prontidão, a disciplina, o silêncio e o riso na hora certa. Tive ciência do quanto vivemos o dia-a-dia sem estarmos em cena, realmente. O despertar e a consciência foram os resultados imediatos dos exercícios que foram desenvolvidos, e não desaprenderei mais” - Kátia Regina R. Martin, administradora de empresa
“O teatro abriu muitos caminhos na minha vida particular e profissional, como soltura corporal, criatividade, alegria, amizade, cumplicidade, reconhecimento e descontração”
- Cristina Saghy Kassab, professora do Ensino Fundamental |
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Sugestões |
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Atendendo a pedidos da Revista O Professor, a atriz e professora, Letícia Olivares, dá algumas sugestões de atividades que os professores possam aplicar durante as aulas e transforma-las em momentos divertidos e mais proveitosos.
- Jogo rápido de sentar e levantar: Pode ser articulado com o conteúdo da matéria trabalhada, como por exemplo, em uma aula de Português, verbos são o comando para levantar e substantivos para sentar. Sentar quando as afirmações forem corretas e levantar nas incorretas na aula de História, Geografia ou outras disciplinas;
- Debates em círculos, com os alunos sentados em disposição diferenciada, como no chão;
- Representação teatral para explicação de passagens históricas;
- Para a socialização, em fila indiana, os alunos massageiam as costas e nuca uns dos outros, trocando de lado ao comando do professor. Essa atividade promove o toque e quebra de barreiras. Com adolescentes, esse tipo de atividade depende muito da habilidade do professor em conduzir, pois nessa fase, as brincadeiras maliciosas servem de proteção para o contato físico. Como alternativa, pode-se aplicar jogos que utilizam conceitos cooperativos, como levantar e falar em alto e bom som, uma qualidade de alguém, a classe tenta adivinhar quem é, e assim sucessivamente, até todos terem dito alguma qualidade dos colegas. Também, pode-se pedir que a pessoa demonstre corporalmente as qualidades que foram listadas;
- Para ansiedade, nada melhor do que respirações profundas. O professor pode sugerir que os alunos fechem os olhos, coloquem as mãos sobre a barriga e tentem empurrar as mãos com o ar levado até o baixo ventre, procurando um preenchimento de ar de toda a caixa torácica e não apenas do peito;
- Para desenvolver uma abordagem solidária, pode-se vendar os olhos de grupos de cinco alunos e outro, sem venda, ficará responsável por guiar o grupo organizado em fila indiana, em deslocamentos pelo espaço, cuidando para que ninguém se machuque. Todos devem passar pela experiência de guiar e ser guiado;
- Mais sugestões podem ser encontradas nos livros de Viola Spolin, como Jogos Teatrais na Sala de Aula.
Mas para que o bom resultado seja observado, Letícia alerta: “é preciso que o professor também tenha uma percepção corporal de si e dos outros, e perceba que o corpo não é uma máquina, mas sim um sistema que está o tempo todo interagindo com o ambiente, com as condições climáticas, com o humor, enfim, é uma presença viva e interativa e não um robô condicionado a falar na frente da lousa ou ficar sentado, estático e ouvindo, no caso dos alunos”. |
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