Santo André - São Paulo - Brasil
Edição Nº 11 - Jan/fev/março de 2009
 
Blog SINPRO ABC
 
 
 
// SAÚDE E COMPORTAMENTO
 

Qual é a qualidade de sua vida hoje?

 

Pare um instante e dê a você mesmo uma atenção especial neste momento

 

 

Por Roberta Alves* Foto: Arquivo pessoal
 

“Antes de me casar, eu costumava sair para comer em restaurantes da cidade, tanto no almoço como no jantar. Quinta-feira à noite era a folga das empregadas, em Bronxville, de modo que muitas famílias saíam para comer fora. Uma bela noite, eu estava em meu restaurante favorito e na mesa ao lado havia um pai, uma mãe e um menino magrinho de uns doze anos de idade. O pai disse ao menino: ‘Tome o seu suco de tomate’. E o menino respondeu: ‘Não quero’. O pai insistiu, com voz mais alta: ‘Tome o seu suco de tomate’. A mãe interveio: ‘Não o obrigue a fazer o que ele não quer’. O pai olhou para a mulher e disse: ‘Ele não pode levar a vida fazendo o que quer... eu nunca fiz nada do que quis, em toda a minha vida’. Esse é o homem que nunca perseguiu a sua bem-aventurança [estado de profundo bem-estar; felicidade completa]. (...) Eu sempre recomendo aos meus alunos: Vão aonde o seu corpo e a sua alma desejam ir. Quando você sentir que é por aí, mantenha-se firme no caminho, e não deixe ninguém desviá-lo dele.” (Trecho tirado do livro O Poder do Mito, de Joseph Campbell)

 

E você? Está aonde o seu corpo e sua alma desejam?
É o caminho que escolheu?
Faz o que quer?
Como está sua vida pessoal?
Profissional?
Financeira?
Afetiva?
O seu lazer?
Qual é a qualidade da vida que você leva hoje?
O que lhe agrada?
O que você quer que seja diferente?

 

Já parou para fazer uma reflexão a respeito? Ou prefere nem pensar nisso e levar as coisas do jeito que é possível, porque a vida é assim mesmo?
Ei! Pare um instante e encare-se frente a frente com um espelho, olhe-se de corpo inteiro, observe-se, sem julgamentos, dê esse tempo a você mesmo, como se fosse um encontro com quem você se tornou. Pode ser? Preparado?
Quando criança, quais eram os seus sonhos? O que queria ser quando crescer? Você se lembra? De quais brincadeiras mais gostava? Quais eram seus melhores amigos? Como era sentir-se encantado pela vida? Tomar chuva; chupar sorvete até lamber os dedos; jogar queimada; brincar de pega-pega; esconde-esconde; conversar na rua até o anoitecer e admirar o brilho das estrelas...
E hoje, quanto daquela criança ainda vive aí dentro de você?
Tem uma bela história na qual uma criança vê uma senhora de bastante idade, com o cabelo todo branco e com muitas rugas no rosto e fica intrigada. Então, pergunta à senhora se um dia ela já foi criança. A senhora sorri docemente e responde: “Não. Eu ainda sou criança, só que há mais tempo que você”.
Cuidado para que o seu adulto, cheio de responsabilidades e problemas a resolver, não acabe sufocando a sua criança, a ponto da vida se transformar num mar de obrigações.
Aulas, preparação de materiais, leitura, correção de trabalhos e provas, programa para ser cumprido, alunos desobedientes, pais que não compreendem a real função dos docentes na vida de seus filhos, trânsito, ônibus e trem lotados, contas para pagar, família para cuidar, filhos para educar, cuidados com a casa, crise mundial, pressão de vários lados, correria, correria, correria... ei... socorro... quero descer desse trem!

Conhece essa história? Ou alguém que passa por isso? Já se sentiu assim?

E como lidar com essa realidade? Como ter qualidade de vida?

Sugiro que comece por fazer uma análise do seu momento atual. Antes de desejar ir a qualquer lugar, é necessário primeiro saber onde você está.
Fique sozinho por uns minutos em um local tranqüilo. Pegue um papel em branco e uma caneta. Faça um círculo e divida-o em oito partes iguais, como se fosse um disco de pizza. Em cada parte escreva os seguintes nomes: ambiente físico, saúde, carreira, desenvolvimento pessoal, relacionamentos, romance, dinheiro e lazer. Caso queira, pode nomear de outra forma, aumentar ou diminuir o número de itens, fique à vontade. O importante é fazer um balanço de sua vida neste momento e visualizar o resultado.
Em cada área, coloque o seu grau de satisfação atual: de 0 a 100%. Sendo o zero na parte central do círculo e o número 100 na outra extremidade. Defina o número conforme você vê que este item está hoje, e não como gostaria que estivesse. Tendo escolhido o número, marque com uma bolinha o local referente a ele. Por exemplo, na parte de relacionamentos você definiu que está 60% satisfatório. Então vá até a linha correspondente a essa área e marque-a mais ou menos no local que acredite representar 60%. Faça isso em relação a todos os oito itens. Ao final, ligue os pontos. Essa é a roda da sua vida no presente momento. Quais áreas estão bem e quais podem melhorar? E o que você pode e quer fazer para melhorá-las? Qual é a qualidade de sua vida profissional, de seus relacionamentos, de sua saúde?
E por falar em saúde, como você está? Tem se cuidado? Ah, está acima do peso, então quer emagrecer?
Neste assunto especificamente, há vários pontos a destacar. Antes, mais algumas perguntas, bastante úteis para sua autoavaliação:
Você tem horários para comer?
Como, quanto, quando e o que você come?
Você costuma comer além do necessário? Em quais ocasiões? Por quais motivos?
Quanto o seu modo de se alimentar interfere em sua vida como um todo e em particular na sua atuação profissional e na sua disposição diária?
Em primeiro lugar, saiba que há três tipos de fome: a biológica (do corpo propriamente dita), a social e a psicológica (que também denomino emocional).
A biológica é a fome autêntica, única razão pela qual se deveria comer, necessária para que o ser humano saiba que precisa se alimentar e, quando obedecida adequadamente, permite que a saciedade ocorra – sinal de que o corpo já está satisfeito e a pessoa também.
A fome social é colocada pela sociedade, mas que precisa encontrar terreno fértil no aparato psíquico do indivíduo. Em grande parte dos encontros sociais a comida está presente antes, durante e/ou depois. As pessoas vão ao cinema, por exemplo, e depois saem para comer; assistem a uma peça de teatro depois vão jantar; recebem amigos em casa ou são recebidos e lá está a comida novamente. E ainda muitas vezes fica a impressão de que quando não é servido nada ou não é aceito o que servem, a educação passou longe.
O terceiro motivo pelo qual se come é a fome psicológica, um impulso que aparece independentemente do corpo físico estar satisfeito, já que sua origem é outra, no aspecto psicológico. É quando a pessoa come porque está ansiosa, entediada, cansada, insegura, como também ao sentir-se feliz e eufórica, por exemplo.
Ao ter fome, pergunte a si mesmo e sinta qual dos três tipos é. Caso seja a fome biológica, alimente-se devagar, mastigue bem os alimentos, prazerosamente e durante 20 minutos (tempo que precisa para o cérebro receber a mensagem de que a saciedade chegou). Ter horários certos para comer é importante e ajuda para que a fome biológica seja reconhecida mais facilmente.
Caso perceba que é a fome social ou psicológica, dê a elas outra resposta, mais adequada, sem ser comida. Converse com alguém, ouça uma música, leia o seu livro preferido, faça um passeio, dance, assista a um belo filme, enfim, se possível, faça algo que lhe seja agradável e que você se sinta bem, tirando o foco da comida e colocando-o em si mesmo. Dessa forma, verá como emagrecer fica mais simples.
Quanto aos demais itens de sua roda da vida, determine exatamente o que quer em cada um deles, escreva em um papel com o maior número de detalhes possível e trace uma estratégia para atingir o que se propôs. Coloque um prazo (data específica) possível para que os seus objetivos sejam realizados e mãos à obra. Seja o autor de sua própria história.


Roberta Alves, coach profissional/pessoal/emagrecimento, jornalista, pós-graduada em Sócio-Psicologia, possui extensão em Psicologia Hospitalar com ênfase em Transtornos Alimentares e Obesidade, pela Faculdade de Medicina do ABC, e também é autora do blog “Faça as Pazes com a Balança” (www.sejamagro.blogspot.com).

 

Obs.: Quando recebi o convite para escrever este artigo fiquei muito feliz e lisonjeada porque a profissão de professor é uma das que mais admiro, pela importância que esses profissionais têm em nossa vida. Particularmente guardo na lembrança vários que passaram pelo meu caminho durante anos e anos de estudo e deixaram ensinamentos valiosos. Agradeço pela oportunidade de poder retribuir um pouco à classe da qual tanto recebi.

 
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